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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sementes da capuchinha no molho de abacate



Na verdade são os frutos com as sementes encerradas, mas chamemos de sementes somente. Elas são picantes como as folhas e flores.  Entre as substâncias presentes,  há um glucosídeo, glucotropeolina, que se junta à enzima mirosina, liberada quando trituramos as sementes. Por hidrólise a combinação gera outra substância, o benzil-isotiocianato,  que dá aquela sensação de pungência, como o alho, a mostarda, a raiz forte, o crem, o wasabi.

Em todos eles, esta reação é mais ou menos igual e este sabor recém formado com a mistura das duas substâncias,  na mastigação ou trituração, é que faz com que estes alimentos sejam tão desejados.  O bom é que além de contribuir com o sabor, esta substância, o benzil-isotiocianato,  tem propriedades balsâmicas e antimicrobianas (isolada, in vitro, acaba com Bacillus subtilis, Escherichia coli, Salmonella spp etc). E junto com a vitamina C presente e flavonoides, tem ação antioxidante. Então, vamos comer a capuchinha por inteiro. Aqui no Come-se há várias receitas com folhas e flores. É só ir ao campo de busca.

Tem tempos que queria fazer um molho pra salada. Nesta semana o Carlos, caseiro, trouxe uma sexta cheia de abacates, que devem ser os últimos da safra. A Rita, que foi ao encontro do Slow Food Piracaia no sítio, aproveitou e fez com eles um molho muito gostoso para a salada, usando limão, azeite e outros temperos. Nem sei, porque não acompanhei.  Mas ficou delicioso. Foi ótima opção já que havia pouco azeite na casa.

Então ontem, vendo se acumularem as sementinhas de capuchinha no peitoril da janela (tenho as flores plantadas na jardineira  e todo dia quando vou regar aproveito para tirar as sementes e vou juntando num canto do peitoril), e ainda lembrando do molho da Rita, resolvi juntar as duas coisas, abacates e capuchinhas, ambos verdinhos.  Fui fazendo de olho, mas anotando tudo na cabeça, de modo que passo aqui agora antes que esqueça.

Pensei em alguns ingredientes, o que aparecem na foto, mas fui juntando outros conforme a necessidade até ficar com sabor que considerei muito bom para a salada. Então, aqui está o jeito que fiz, mas você pode variar os temperos.  Minha ideia era me livrar do azeite, usar só o abacate como ingredientes gorduroso, além do limão para acidificar e alho para intensificar o picante das sementes. A ausência do azeite deixa o molho mais leve, econômico e nutritivo. Usei água para ralear, mas se não for um molho para salada, você pode dispensar a água, deixando o molho mais denso como uma maionese. E, claro, pode juntar, sim, um pouco de azeite de oliva, de girassol, de licuri, de pequi, de castanha-do-pará... enfim, a gordura que tiver de melhor.

Aos poucos, fui juntando outros ingredientes não previstos inicialmente. Achei que umas folhas de ora-pro-nobis branqueadas deixariam a emulsão mais estável com sua mucilagem - acertei. E as folhas de capuchinha, também branqueadas (jogadas em água fervente, deixadas por apenas 1 minuto e depois enxaguadas em água gelada), aumentariam o sabor picante. Decisão também acertada. Um pouquinho de mel e vinagre para equilibrar o sabor e folhas de coentro pra temperar, foram outros acréscimos.  Ainda penseu em outras intromissões como uma pimenta verde sem sementes, mas fica para o próximo.






quarta-feira, 16 de outubro de 2013

VENENO DE RATO NATURAL



Como fazer:

a) Pegue uma xícara de qualquer feijão cru (sem lavar mesmo);
b) Coloque no multiprocessador ou liquidificador (SEM ÁGUA);
c) Triture até virar uma farofinha bem fininha, mas sem virar totalmente pó.

Onde colocar:

Coloque em montinhos (uma colher de chá) nos cantos do chão;

a) Perto das portas;
b) Janelas (SIM... eles escalam as janelas...)
c) Atrás da geladeira;
d) Atrás do fogão;
e) À beira de esgotos, de córregos e valas, em ruas e/ou alamedas, por exemplo.
OBS.: O custo é muito barato e a eficácia é muito elevada!

O rato come essa farofinha, mas não tem como digerir o feijão (cru), por falta de enzimas digestivas ou substâncias que digerem feijão cru. Isso causa aos ratos envenenamento natural por fermentação. Todos os que ingerem morrem!


A população de ratos se extingue em três dias no entorno da área em que o farelo do feijão cru foi colocado.

DETALHE IMPORTANTE:
Ao contrário dos tradicionais venenos (Racumim, por exemplo), o rato morre e não contamina animais de estimação. E a quantidade de feijão que ele ingeriu e o matou é insuficiente para matar um cão ou gato, mesmo porque estes gostam de MATAR pra comer... Mas animal morto, eles não comem. E não há evidências de que o farelo do feijão cru faça mal a gatos e cachorros, pois, eles têm enzimas digestivas capazes de metabolizar esse alimento.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nossa Senhora do Rosário



O Rosário nasceu do amor dos cristãos por Maria na época medieval, talvez no tempo das cruzadas à Terra Santa. O objeto da recitação desta oração, o terço, é de origem muito antiga. Os anacoretas orientais usavam pedrinhas para contar o número das orações vocais. Nos eventos medievais os irmãos leigos, dispensados da recitação do Saltério, pela pouca familiaridade com o latim, completavam as suas práticas de piedade com a recitação dos Pai-Nossos, e para a contagem, São Beda, o Venerável, havia sugerido a adoção de vários grãos enfiados num barbante. Depois, narra uma lenda, a própria Nossa Senhora, aparecendo a São Domingos, indicou-lhe a recitação do Rosário como arma eficaz para debelar os hereges albigenses. Nasceu assim a devoção do Rosário, que tem o significado de uma grinalda de rosas oferecida a Nossa Senhora. Os promotores desta devoção foram os dominicanos, que também criaram as confrarias do Rosário. Foi o papa dominicano, São Pio V, o primeiro a encorajar e a recomendar oficialmente a recitação do Rosário, que em breve se tornou a oração popular por excelência, uma espécie de breviário do povo, para ser recitado à noite em família. Aquelas Ave-Marias recitadas em família estão animadas de autêntico espírito de oração: “Enquanto se prossegue na doce e monótona cadência das Aves-Marias, o pai ou mãe de família pensam nas preocupações pelos filhos mais velhos. Este emaranhado de aspectos da vida familiar sofre então a iluminação dos mistérios salvíficos de Cristo, e é espontâneo confiar tudo a Mãe do milagre de Caná e de toda a Redenção” (Schillebeeckx). A celebração da festividade hodierna foi instituída por São Pio V para comemorar a vitória de 1571 em Lepanto contra a frota turca (inicilamente dizia-se: Santa Maria da Vitória). A festividade do dia 7 de outubro, que naquele ano caía no domingo, foi estendida em 1716 à Igreja universal e fixada definitivamente por são Pio X em 1913. A festa do Santíssimo Rosário, como era chamada antes da reforma do calendário de 1960, resume, em certo sentido, todas as festas de Nossa Senhora.
Outros Santos do mesmo dia: Santa Justina, São Marcos I, Santa Osita, São Aritaldo, Beato José Llosa Balaguer, Beata Joana Takahashi, Beato Adriano Takahashi Mondo, Beato Leo Hayashida Sukeemon, Beata Marta Hayashida, Beata Madalena Hayashida, Beato Diego Hayashida, Beato Leão Takedomi Kan’emon, Beato Paulo Takedomi Kan’emon.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

COMO COZINHAR OVOS PERFEITOS





Colocar 9 ovos de cada vez, em água já fervente, deixando submersos no fogo, por 9 minutos. Ou deixar ferver 3,5 litros de água misturada com 1/3 de xícara de vinagre, cozinham 20 ovos,  que devem estar à temperatura ambiente,  de uma só vez,  por 9 minutos. Os ovos são escorridos e mergulhados em vasilha com água e gelo para dar um choque térmico. Pronto, ovos cozidos perfeitos. 


Para testar outros pontos, cozinhei 3 ovos pequenos por 7 minutos, usando a mesma técnica. Ficaram com as claras perfeitas e as gemas cremosas, ótimas para sanduíches, mas muito macias para saladas. Então, o melhor para saladas é mesmo cozinhar por 9 minutos. 


O ovo
Ele é formado basicamente por quatro partes: gema; albume ou clara; membranas  - tecidos proteicos situados entre o albúmen e a casca, que servem como barreira contra a penetração de bactérias, sendo que a câmara de ar é formada entre estas duas membranas; e a casca. Embora ovos sejam ótimos alimentos proteicos e gostosos, toda a estrutura e composição do ovo tem como função atender às necessidades do embrião.  A clara é formada praticamente de proteína e água, com apenas traços de gordura. Das proteínas de sua composição, 70% é albumina. Outra proteína presente, importante do ponto de vista nutricional, é a avidina, que se combina com a vitamina biotina, tornando-a inaproveitável quando consumimos ovos crus. Porém, se os ovos são cozidos, a avidina é inativada e a biotina fica disponível.  A gema é composta de proteína, lipídios, carboidratos, vitaminas, minerais e água. É nela que se desenvolve o embrião,  caso fecundado. E o bom é que a qualidade da proteína dos ovos é comparável à da carne, com todos os aminoácidos essenciais - aqueles que nosso organismo não consegue sintetizar.  Além disso, é ótima fonte de vitaminas e minerais.


Não importa o ovo que você usa, se de galinha, pata ou gansa, é bom saber que gema e clara cozinham e se solidificam em temperaturas diferentes. Enquanto a clara fica consistente quando atinge aproximadamente 60 C, a gema só solidifica a 70 C, permanecendo ainda mole a 65 C. Graças a esta perfeição da natureza, que parece ter sido forjada para nos servir, é que podemos nos deliciar com ovos fritos ou cozidos com a clara firme e a gema ainda cremosa.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LIMÃO ZAMBOA



 
De vez em quando surge como do nada um alimento milagroso capaz de proezas inimagináveis para os prosaicos vegetais que frequentam nossa mesa no dia a dia – no entanto sempre haverá a chance de um deles ser o próximo eleito.  A vez agora é da laranja amarga como auxiliar nas dietas de emagrecimento graças a uma substância chamada sinefrina que se usada em excesso pode ter efeito tóxico para o músculo cardíaco e até causar hipertensão. Funciona como um tipo de efedrina, encontrada nos remédios para emagrecer.
Mas a fruta é usada seguramente na fitoterapia não é de hoje e está presente na farmacopeia de vários países  – do epicarpo, das sementes, das folhas e dos botões se extraem várias substâncias com ação farmacológica. 
Felizmente de vez em quando também surge como do nada uma bacia de alguma fruta rara em minhas mãos.  Esta variedade de laranja amarga, também chamada de limão zamboa ou azamboa,  ganhei recentemente. Foi colhida em Piracaia, na Serra da Mantiqueira, onde a planta ainda está presente nos pomares antigos e pastos abandonados. Conta-se que no começo do século passado uma grande plantação de zamboeiros foi instalada ali, entre as cidades de Bragança e Joanópolis, destinada à indústria farmacêutica.
O que restou na região foram as plantas rústicas de fundo de quintal, nunca de mercados, cujos frutos,  verdolengos como cidras ou maduros na cor de limão rosa, com polpa solta, são apreciados como compota feita com a casca. O doce é trabalhoso, é preciso lixar a superfície para liberar aquelas glândulas de óleo e tornar a casca mais porosa, ou descasca-se cuidadosamente tirando só uma película para não perder a cor e o sabor.  E ainda é necessário despolpar os frutos, escavando com colher,  e depois deixar durante quase uma semana as cascas imersas em água limpa e fria, renovada várias vezes, para tirar parte do amargor. Em compensação, é considerado por quem conhece como um dos melhores doces caseiros de fruta. E eu assino embaixo.
Não é laranja de comer nem limão de limonada, embora possa a fruta ser tratada dos dois jeitos por bravos de paladar. É ácida, amarga e não tem doçura, mas é muito aromática e saborosa quando se adiciona açúcar.   Limonada de zamboa é uma das minhas preferidas, pois quando o sumo é diluído em água bem gelada, adoçado com açúcar ou com caldo de cana, o amargor fica discreto e funciona como uma nota refrescante.  Embora não seja um fruto suculento como o limão, não é seco como a cidra e na hora de fazer doce com a casca dá um dó danado  jogar fora o suco que não entra na receita.  Separando as sementes que são muitas, deste caldo pode-se fazer a tal da limonada ou uma geleia que será ácida e amarga, ótima para acompanhar carne de porco assada.
Procure compota de limão zamboa em mercearias que vendam doces artesanais.  Se encontrar um pé por aí, melhor ainda – faça seu próprio doce, sirva com uma bolota de creme batido e nhac. 





Compota de limão zamboa 

2 dúzias de limão zamboa maduro
1 quilo de açúcar
1 litro de água

Lave bem os limões e lixe com lixa d´água ou ralador tipo microplane para que a superfície fique porosa mas não perca a cor. Os descasque tirando só uma película fina. Lave bem novamente, parta os frutos ao meio, esprema o suco (reserve para fazer limonada) e tire a polpa usando uma colher.  Coloque as cascas numa bacia, cubra com água, coloque por cima um prato pesado para que elas fiquem submersas, e  deixe durante cinco dias em  local fresco, trocando a água umas três vezes por dia – ou sempre que puder. Escorra bem e coloque as cascas numa panela com água limpa. Deixe ferver e jogue a água fora. Reserve. Coloque numa panela 1 quilo de açúcar e 1 litro de água. Deixe ferver até o açúcar derreter e coloque aí as cascas ainda quentes. Deixe cozinhar até que a calda fique apurada e as cascas,  macias e translúcidas. Se quiser, junte 2 ou 3 cravos à calda. Coloque em vidros e guarde na geladeira.
Rende: cerca de 3 quilos 



 ÁGUA
 COZINHANDO NACALDA
 COM CREME DE LEITE BATIDO