Dona
Maria, comentou que antigamente tiravam-se manchas de roupas usando folhas de
mamão esmigalhada sobre a roupa molhada a quarar, sempre molhando, virando de
lado, não deixando secar. Depois bastava tirar as migalhas de folha e enxaguar.
Perguntei se podia bater a folha no liquidificador, já pensando em simplificar
a vida? E se em vez de ficar molhando a roupa para o sol não secar a gente
botasse a roupa amarela dentro de um saquinho plástico? E se isto e se aquilo?
Ela não sabia responder porque naquele tempo era do jeito que falou.
Fiquei com aquilo na cachola. No outro dia, assim que o sol nasceu, botei
roupas para quarar do meu modo pensado. Peguei toalha de mesa e pano de prato
com manchas e coloquei dentro de sacos imersos num suco feito com folhas de
mamão e sabão batidos no liquidificador. Assim que o líquido esquentou, a cor
verde sumiu. Virei o saco e deixei o sol agir do outro lado. De fato, os panos
clarearam.
Mas antes
disso, enquanto batia as folhas fiquei pensando na razão. Claro, deve ser por
causa da papaína, que é uma enzima proteolítica - que quebra proteínas. Toda a
planta do mamão tem papaína, assim como outras substâncias. Entre as enzimas
proteolíticas há não só a papaína mas também a quimopapaína e papayproteinasa
omega. Mas vamos pensar na papaína. Pensei nas utilidades da papaína como
limpador de feridas, nas folhas usadas milenarmente para embalar carnes duras
de caças a serem cozidas para torná-las mais macias, na seiva do mamão verde
(que é um concentrado de papaína) que quando cai na córnea pode cegar, na
papaína sobre machucados que faz arder, no mamão consumido por quem tem
ferimentos na mucosa e que aumenta o estrago, no poder das enzimas
proteolíticas sobre a proteína do leite e da gelatina. Gelatina de abacaxi, que
também tem enzima proteolítica, a bromelina, só se faz com a fruta cozida,
que inativa a enzima, se não a gelatina não gelatiniza. E a gente só tem
aftas quando come abacaxi porque ele é ácido e tem a bromelina - o ácido torna
a mucosa mais sensível à enzima. Se a fruta é só ácida e não tem esta enzima ou
se tem a enzima mas não é ácida, não causa aftas - exemplos: limão e mamão. Um
é bem ácido e o outro tem papaína. Nenhum dos dois causam aftas porque não tem
as duas coisas juntas. Já kiwi tem os dois. Abacaxi também.
Tudo isto
pra chegar à conclusão, enquanto coava o suco verde, de que se estas enzimas
proteolíticas não destroem a proteína da nossa pele íntegra mas come a carne
quando a ferida está aberta ou as proteínas expostas. Esta é uma visão
bem simplista, digamos. Mas foi tudo o que me veio à cabeça no momento de
decidir aplicar o resto daquele suco verde sobre os pulgões das couves. Vai que
os pulgões sejam muito mais permeáveis que nós? Se a mucosa do nosso olho é
sensível à seiva do mamão, vai que os pulgões, feitos de proteínas, sejam todos
como mucosas expostas? Bem, não custa tentar.
Pulverizei
num pé de couve - que plantei num solo pobre de terraplanagem, sem cuidados -
que estava tomado de pulgões. Morte imediata! Fiquei tão empolgada que
fiz um teste, pois vai que eles simplesmente morreram afogados. Coloquei então
duas partes de couves colonizadas por pulgão em pratos diferentes. Num
pulverizei água e no outro, o suco de folhas de mamão. Depois de uns minutos,
com água e suco secos no prato, os pulgões saíram rindo da água e se espalhavam
pelo prato e pelo banco onde estavam. Os banhados pelo suco de mamão haviam
sido exterminados!
Fiquei
com vontade de contar o feito imediatamente aqui, mas quis pesquisar mais se
havia algum trabalho mostrando o uso de papaína sobre pulgões. Não achei nada.
E isto não quer dizer que não exista. Se alguém tiver notícias sobre isto, me
mande. E fui fazendo mais testes.
E fui
também ao Tratado de Fitofármacos Y Nutracéuticos, do argentino Jorge Alonso. E
lá há vários trabalhos mostrando a eficácia do uso da planta em diferentes
experimentos, usando frutos, seivas, ementes, raiz e córtex. Há bons resultados
como antimicrobiano, antifúngico, contra larvas de Áscaris em cachorros,
anticoagulante etc. E isto me diz então que não é muito loucura acreditar - e
ter comprovado - que o uso de folhas de mamão verde é eficaz contra pulgões.
Assim, podemos comer couves orgânicas tratadas sem substâncias
tóxicas. Basta depois regar com um jato de mangueira que os pulgões caem
mortinhos, secos, esturricados. E quanto a toxicidade do suco, nenhum. Nem pra
nós, nem para as folhas, nem para a terra.
Fiz outros testes pulverizando sobre uns bichinhos que estavam no broto da minha roseira (não sei que bicho é, mas é miudinho como pulgão), sobre formigas – todos morreram, e estou À espreita de uma lagarta.
Fiz outros testes pulverizando sobre uns bichinhos que estavam no broto da minha roseira (não sei que bicho é, mas é miudinho como pulgão), sobre formigas – todos morreram, e estou À espreita de uma lagarta.
O que tenho feito ultimamente é bater no
liquidificador 2 folhas e seus talos picados, com um pedaço - a ponta do dedão
- de sabão. Meu liquidificador já coa e o sabão é caseiro, mas pode coar num
pano e usar qualquer sabão. Fiz testes sem sabão e também funciona. O bom do
sabão é que faz o líquido aderir aos bichinhos e à folha. Sem ele, o líquido
escorre como gotas de orvalho por causa da oleosidade das folhas e dos bichos.
Já tinha tentado usar calda de fumo com sabão. Também funciona, mas não é extermínio imediato como com as folhas de mamão. Experimente e depois me diga.
Já tinha tentado usar calda de fumo com sabão. Também funciona, mas não é extermínio imediato como com as folhas de mamão. Experimente e depois me diga.
Voltando
à função de clarear roupas, aqui um trecho do livro do Jorge Alonso, sobre
outros usos que fala também do uso das folhas em saladas. "La pulpa
del fruto tiene uso comestible dado sua agradable sabor. Con ella se elaboram
jugos, mermeladas y tortas. Las hojas suelen comerse en ensaladas, empleandose
además, para remover manchas como sustituto del jabón. La papaína, de amplio
uso en la industria farmecéutica no solo en productos digestivos, también se
emplea en cosmética formando parte de cremas faciales lociones para
limpieza de cutis. Se emplea tambíem para ablandar la carne, como clarificador
de la cerveza, para el tratamiento de lana y seda antes de colorearlas, como
coadjuvante de la fabricación de hule, como ingrediente en la formulación de
pastas dentales y detergentes, y para mejorar el tanizado de cueros finos. La
papaína forma parte de algunos productos destinados a la limpieza de lentillas
corneales." (suprimi as referências que podem ser conferidas no livro
citado lá em cima)






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